quinta-feira, 23 de agosto de 2012

E agora você vê
o estrago de suas reduções
trabalha o barro n'água
para novos artesanatos
acompanha a areia
em ritmo de mar
e como grandes aeroportos
limpa vidraças na despedida

não é possível saber
a família dos pingos
que inundam seu banheiro
mancham as paredes
e infiltram o andar de baixo
para continuar pingando

a gravidade não hesita
ao empurrar os dias
contra o corpo
eles descem como nós
as escadarias da neblina

e agora você vê
seus pequenos holocaustos
pedem água
essa que transborda
cumpre distâncias impossíveis
fluxo de tempo úmido
indizível.






segunda-feira, 13 de agosto de 2012






















Arte de Paul Klee

assim como os aquedutos
onde a água
nunca é espelho

onde nada é reflexo
do tempo

onde só é trajeto
a sede

onde só serei grão
erosivo

onde não seremos nada além
de movimento

abastecerei cidades
com a fartura
de meus passos lentos.