segunda-feira, 25 de junho de 2012



gostaria de ser mais inteiro
que as palavras saíssem todas
que as expressões saíssem todas
que meu corpo todo fosse deglutido
com maior naturalidade

mas a palavra quebra
o rosto duro
e me recolho em peças.

gostaria de ser mais inteiro
honestamente alguém diria:
só queres ser entendido, Lorenzo
honestamente alguém diria:
só queres ser explicável.

esse móbile de pássaros de plástico
não abandona meu teto
e continuo qual felino estúpido
atacando seu ballet aéreo.

tão frágil a vida.
o corpo, fragmento al mare
Lorenzo
o corpo, relicário de delicadezas
inegociáveis




sexta-feira, 1 de junho de 2012

me manda qualquer coisa de palavra
qualquer dia
dentro dessa correspondência roubada.




chove
chove muito
não para de chover um
só segundo

e as vezes só quero
que evapore minha febre
que teu poço artesanal
seque.

para que então
com as unhas cheias de carne
tu me cavoques fundo
crie labirintos
cavernas
estreitas para matar tua sede.