segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Arte de Caspar David Friedrich



cruzaríamos o Pacífico
não fossem as rotas alteradas
e as dorsais pontiagudas das palavras.
em arquipélagos deixaríamos nossa bagagem
não fossem as ataduras da pele
e suas esquinas imóveis

ou a pontuação ártica
de nossos chakras.

reduziríamos à estepe-superfície
todas as florestas equatoriais dos cílios
não fossem os grãos de deserto guardados
dentro dos bolsos.

enquanto isso
façamos o trabalho que não nos leva
a ponto algum do globo.
rolha flutuante
do ano novo passado.

costurar os retalhos das nuvens
em um grande lençol que cubra o tempo
enquanto o seu lobo não vem.



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