sexta-feira, 19 de agosto de 2011

carta número um ( ou o calendário de dentro )


Arte de: Tarsila do Amaral



Uma casa estreita
como as paredes do teu ventre.
É isso o que desejo.

Duas xícaras de café aéreo
três gotas de lágrima doce
fazendo o oceano cair dos olhos
e manchar o lenço.

Atemporais atrapalhando a estação
Rimbaud estava errado quanto as férias.

Uma tarde como a que nascemos
imersos na década dos planos futuros
Reconciliar o berço errando as saídas
na estrada.

Meu olhar se fecha
em close fotográfico de partida.

Porto Alegre, 20/08/2011

com o pensamento na Guanabara.

domingo, 14 de agosto de 2011


Arte de Cy Twombly


Lembrei-me das górgonas
e suas transmutações minerais.
Isso de eternizar a passagem.

Luísa é mineral
é o contrário
o avesso por convicção.

Não desenvolve tramas com suturas
não fotografa a areia no vento
nunca guardou o oceano
dentro dos potes na cozinha.

Essência clara e sem propósito
matéria orgânica da obra prima

cílio único em queda
para dentro da vida

terça-feira, 2 de agosto de 2011


Arte de Mark Tobey



Teu braço mecânico
e meus olhos repletos de tecido
não vejo o amor distante dessa realidade
caligrafia que treme
é a folha de papel amassada em seus próprios sulcos

Talvez meus olhos é que estremeçam
diante da tua complexa engenharia

Arquiteto de objetivos
desenhaste o teto da casa curvado em abóbadas
penso que para melhor escorrer as águas

Agora eu moro no telhado
construí canoas a partir de sua forma curva

A inversão, querido
é meu meio de transporte.