segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011


Arte de Sigmar Polke

Lorenzo Ganzo Galarça

Nossos olhares fixos
No acordar da serpente.
O movimento preciso
E a continuidade do rastro.

O gramado jamais será órfão
De nossa doce atenção.

A infância multiplicando-se
Em cado fruto maduro.
Na extensão dos ramos
Até a lâmina das folhas.

Difícil encontrar a terra de nossos sonhos.
Onde germinaram todos os futuros
E os acasos inevitáveis.
O cartório do desejo.

Até hoje, quando visito o imenso gramado
Não sou capaz de atravessá-lo
Sem buscar uma única semente fracassada.

A semente subjetiva.
A semente pela qual adormeço
E também acordo com o suor gelado.
A semente que atrapalha minhas raízes.

O que resta é observar o campo.
Iludir-me com sua aparente monotonia.
E esperar as serpentes, é claro.
Que não passam de uma simples burocracia dos olhos.

2 comentários:

stephaniestrobel disse...

lorezo, tenho lido seu blog desde o ano passado, gosto da sua crueza jovem, bonito de ver/ler. parabéns!

Lucho disse...

Stephanie, fico super feliz de saber que tu tens acompanhado o blog. Saber que a invenção é compartilhada é um presente pra mim.

Gostaria de saber como você achou o blog.

Obrigado de verdade!