segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Intimidade não é intimação


Arte de Sigmar Polke

Lorenzo Ganzo Galarça


Não me comovo com as datas de um relacionamento.
Isso de querer fingir importância.
É arrogância achar que a vida deva saber de nossa existência.

O tempo nasce dentro da gente, nunca no calendário.
O tempo do mundo sempre será o infinito
e mais dois passos pra frente.

O peso dos cílios jamais se justifica no excesso dos dias.
A roupa, para ter cheiro, precisa de rotina, precisa de sol e areia.
Dispensa o ar condicionado do restaurante.

Não desejo as frases feitas, os beijos pragmáticos, ou a objetividade dos cabelos.
Não desejo a boa postura, o comportamento, ou a destreza infalível.
Jamais quero receber um conjunto do louça de presente.

Intimidade é quebrar os copos
na pressa da sede.

2 comentários:

Yke Leon disse...

Isto é bom de um nível que eu nem consegui colocar em palavras. Não que não as tenha, mas nem todas juntas iam explicar o que senti ao ler. Parabéns.

Yke Leon,
www.revolutear.com

Julia disse...

Me identifico tanto tantas vezes...
Me impressiono com a forma que tu põe em palavras o que tu pensa, traduzindo muitas coisas que ja estavam escritas em mim.