quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Lorenzo Ganzo Galarça

Isso tudo
livre e disperso
dentro da mesma caixinha sobre a mesa.

Não criei espaço na casa
para a desigualdade social dos objetos.
Transformo meu mundo pela escrivaninha.

Jamais soube a hierarquia
dos afetos cotidianos.

Misturo tudo
como Gil e Torquato.
Falsifico a ordem.

Meu cortador de unhas
para aparar a ponta dos lápis
E me desenhar

Como uma cutícula
contorna o dedo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010


Arte de: Van Gogh


Lorenzo Ganzo Galarça

Acompanho-me das luzes ritmadas
na Paris estelar de minha cidade

As estrelas como aviões
transportando os sonhos humanos

Na enseada desta baía infinita
deixo meu pensamento ir-se embora
com as luzes que agora vão

Apagando-se
no meu escuro

Minha vida
uma pista de pouso de partidas

quarta-feira, 4 de agosto de 2010


Arte de Antoni Tàpies

Lorenzo Ganzo Galarça

Um rio atravessou a casa
Inundando a lavoura oculta.
Crescente fértil desenhado no mapa astral dos filhos.

Escalou paredes,
Invadiu o sótão,
Mofou fotos e grafias.

As impurezas filtradas,
Tal raro brilhante em olhos garimpeiros.

A suspensão dos sonhos
Decantando na geada amanhecida.

O rio correu pelo pátio
E escondeu-se na copa da árvore maior.
Fazendo-se nuvem corriqueira.

Chovia toda vez
que as crianças iam brincar.