quarta-feira, 16 de junho de 2010


Arte de: Maurice Denis

Lorenzo Ganzo Galarça

Nascemos sob o som de sinos destoantes.
O timbre que envelhece
conforme as pegadas dos anos.

Não disputamos os mesmos instantes.
As correntes descompassadas
dos balanços na praça.

Conhecemo-nos à sombra e sol
dos degraus da mesma escada.
Um oceano entre nossos olhos.
Uma vida inteira de atrasos.
Nosso amor é um compromisso apressado.

Embrulhamos o tempo dos ossos em segredo.
Fica o exercício entre as dobras das mãos.
O suor aprisionado nos pêlos.

Para que a vida não perceba
a antecipação do nosso encontro.

quinta-feira, 10 de junho de 2010




Arte de: Anselm Kiefer



Lorenzo Ganzo Galarça

A folhagem das árvores debruçada sobre o inverno.
Derramo a seiva do frio pelo corredor dos braços,
A estrada curva do corpo.

Meus cílios agora varrendo o horizonte.
É preciso eliminar a poeira dos olhos,
O passado adormecido nos colchões das pálpebras.

É preciso desprender-se dos galhos,
Encolher as raízes,
Economizar minerais.

Chega de viver preso à rigidez dos troncos.