terça-feira, 4 de maio de 2010


Arte de: Manuel Millares

Lorenzo Ganzo Galarça



Fomos afastados dos lábios
pela acidez da saliva.

O hálito seco.
A noite ainda adormecida sobre a língua.

A linguagem áspera dos sonhos
com cheiro de palavra abandonada na garganta.
Pensamento passado.

A lembrança dela acordou exausta
como uma língua que transpira.

A manhã foi de poucas palavras.
A manhã foi de quase nenhuma vida.
E as que estavam ali não se faziam compreender.

Esquecimento é quando o soluço nasce pra dentro
e aprisiona o fato na traquéia.
Entre o corpo e a cabeça.

[Para Brenda,
que deixou o pátio e a comida.]

2 comentários:

Boneco de madeira disse...

Muito bom esse blog, achei do nada, vou visita-lo sempre.

Lucho disse...

Fico profundamente agradecido.
A porta estará sempre aberta.