segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Galeão-Salgado Filho.


Imagem modificada com Photoshop

Lorenzo Ganzo Galarça

Quase nunca levo vantagem
Nas negociações cotidianas.

Deixo de lado as ponderações.
Esqueço gráficos e estatísticas.

No avião, faço pouso seguro em terra firme
E levo a turbulência pra casa
Voando em meu ouvido.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sob a Tutela do Olhar


Arte de: Robert Rauschenberg


Lorenzo Ganzo Galarça

Lá estava ele, mais uma vez.

A barriga rente ao queixo
Servindo de apoio aos ansiosos cotovelos.
Os cabelos respeitando a solidão da careca.
Seu desespero comportado entre a palma das mãos.

Assistindo-me por entre a selva
Das sombrancelhas.
Sobre o denso manguezal dos bigodes.

Posso jurar que seu olhar transmitia eternidade.

-Conta-me o tempo. Fui rápido?

Perguntava antes o compromisso,
Que a curiosidade.

-Ainda podes mais!

-Aguenta, respira, relaxa. Aguenta, respira, relaxa.

A idade te impossibilita.
As pernas tremem,
Os pulmões suspiram.

Mas, correste em meus olhos.
Tropeçando em minha juventude.
Em choro,

Honravas o Nascimento.

Treinaste-me
Para a vida.

Agora a vida treina-me
Para viver-te.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Irmãos de Trincheira


Arte de: Jasper Johns


Lorenzo Ganzo Galarça

Respirávamos.
Respirávamos
Um no olhar do outro.

Nossa pele não tinha endereço.
Fomos herdeiros de nossos filhos.
Nossa força era o que nos mantinha vivos.

Ardemos as mesmas dores.
Não há espaço para a solidão
Quando o susto beira a finitude.

Respirávamos.
Respirávamos
Um no olhar do outro.

Nossas alturas não ultrapassavam as raízes.
Revezávamos o conforto da vala.
O corpo acostumava-se com o limite.

Atrofiávamo-nos as pernas, os braços, as idéias.
Lutávamos contra a própria liberdade.
Qualquer vantagem era exilada do convívio.

Respirávamos.
Respirávamos
Um no olhar do outro.

Acompanhavamo-nos de nossa própria sorte.
Eu vivia embriagado de tua sinceridade;
Tu vivias aprisionado em minha plenitude.

Vivíamos unidos pelo grito do silêncio.
Convivemos tempo de mais para não embaralhar as lembranças.
Fomos eternos companheiros.

Respirávamos...

Eu e meu irmão de trincheira.
Um o olhar do outro.
Desconstruindo nossos nomes.