domingo, 5 de abril de 2009

Nossa avó.


Arte de: Robert Rauschenberg
Lorenzo Ganzo Galarça

A vó cobria-nos
com pesados panos.
Cobertores quentes e felpudos
nos aqueciam das frias paredes de tijolos.

Ela nos tapava aos poucos.
Em camadas.
Como um doce de mil folhas.
Minha vó recheou a infância dos netos.

Dispunha nossos corpos
pelos espaços do quarto.
Brincava de arrumar as camas
como se fossem caixinhas de fósforos.

A casa dos meus avós
tinha o cheiro das minhas primas.
Guardo as lembranças nossas.
Era ótimo ser o caçula.

Sempre pude invejar
o crescimento de quem amei.

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