quarta-feira, 29 de abril de 2009

Em meio a tanta euforia.


Arte de: René Magritte
Lorenzo Ganzo Galarça

Todo andam tão faceiros.
Alargando os passos
e se demorando pelas ruas.

Confesso:
Não consigo acompanhar
suas euforias.

Não estou alegre.
Gozo em silêncio.
A delicadeza cobriu-me

com suas sedas.
O movimento caminha
limitado. Limitando-se.

Agrupo-me como
um bando de refugiados.
A periferia de meu corpo

abandonou a segurança.
Simpatia em demasia
desconcerta.

Os sorrisos dos outros
Constrangem minhas rugas.
Em meio a tanta felicidade,

parece que vivo uma mentira.
Ou que sou o único
que não privo minhas verdades.

3 comentários:

- ficacomigo. disse...

meu Deus, está excelente. tanto esta como todas as outras poesias. Parabéns pelo teu trabalho :)

Lucho disse...

Obrigado!!
É sempre bom ouvir isso das pessoas.
Continue visitando!

Beijos!

Maurício Levy disse...

cara, que lindo, de chorar.
bah, vou visitar mais este espaço...me faz tão bem e mal!

um grande beijo ao meu amigo e à sua irmã picorrucha e sua mãe que por mim é tão querida!