domingo, 22 de março de 2009

No Final.


Arte de: Antoni Tàpies
Lorenzo Ganzo Galarça

Ponho pijama para dormir.
Preparo-me para o fim.
O término de um dia
É o começo do que virá.

Fico de banho tomado para os sonhos.
Penteio, cuidadosamente, os fios de cabelo.
Anseio a retomada.
As cobertas aquecem as causas.

Perdoam. Aceitam as lamentações.
A cama reconcilia
O choro dos filhos.
E ficam as manchas nos lençóis.

A cama abriga o novo.
Interliga o começo e o final.
Túnel do Tempo.

Estremeço frente ao intransponível.
A vida eterna nunca fez meu tipo.
Acredito na finitude para semear o futuro.
Guardo a fé do nascimento.

Folhas mortas adubam a terra úmida.
Morrer é uma prova de que se viveu.
O fim pode não ser justo, mas é sincero.

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