quarta-feira, 4 de março de 2009

Guio de olhos vendados


Arte de: René Magritte
Lorenzo Ganzo Galarça

Me desculpe, meu amor,
Se te assusto com a minha sinceridade.
Desaprendi os valores primeiros.

Reconheço a indelicadeza do gesto.
O Amor não usa guardanapos.
Não retira os restos de comida

Do canto dos lábios.
Não sacio com os beijos.
Tua mão não existe sem uma aliança.

Os dedos finos pedem compromisso.
Proteção contra a própria pele,
Afago que envolve.

Lembro dos dias que não vivemos.
Enxergo uma vida inteira nos instantes,
Leite em teus seios,

A promessa do matrimônio no sorriso. O segredo dos dentes.
Teus cabelos tecem os lençóis
Que aquecerão nossos filhos.

Dentro do teu corpo, os momentos são tão intensos
Que busco lembranças mornas no futuro.
Tranco as portas e descanso no desejo.

Te abraçar é como passar a arrebentação do mar.
O silêncio me ensurdece...
Paz de espírito.

Remo junto a correteza
Para poder me deixar levar por ti.
Adormeço em tua serenidade.

Guio de olhos vendados.

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