terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os abraços abandonam os braços.


Arte de: Man Ray
Lorenzo Ganzo Galarça

Te emprestei um livro.
Não para que tivesse lido,
Mas para que fosse devolvido.

Pedi meu fundo de garantia.
Plantei uma semente em teu corpo
Que se rega à beijos no pescoço.

O Verão está dando as costas.
Quem sabe a Primavera?
Um Encontro, ao menos, nos resta.

O sorriso desenhado
E o livro debaixo do braço, junto ao peito.
-Obrigado, mas não deu.

-Não a de que.
Só não esqueça que o que realmente levaste contigo
Não poderá ser devolvido.

Uma parte de mim foi embora com você.
Uma parte que teme voltar
Por não saber como se curar.

Os abraços abandonam os braços quando encontram o Amor.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sintonia.


Imagem: Deviantart.com
Lorenzo Ganzo Galarça

Os gols mais bonitos que fiz foram de pés descalços.
As chuteiras pesavam na responsabilidade de marcar.
O descompromisso dos dedos com os objetivos levavam-me mais longe.

As travas da chuteira travavam-me o movimento, enquanto
As solas dos pés iam beijando o gramado.
Exímeis malabaristas de Bergamotas.

A despreocupação não gera desprezo, gera atenção.
Os pés, livres de nós e laços, jogavam futebol por conta própria.
A liberdade que dei ao meu corpo é retribuída a mim como compreensão.

Meus pés me entendem quando não quero jogar bola,
Minha sobrancelha coça quando fico desconfortável,
Meu olho inunda-se quando me apaixono.

Meu membros fazem parte das reuniões sindicalistas.
Os olhos acompanham a curvatura dos ombros
No desejo de um carinho eminente.

Não ocupo a cama inteira, quando durmo.
Sei que outro lado sempre pode amanhecer mais pesado.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Deixa o verão.


Arte de: Eliane Guedes

Lorenzo Ganzo Galarça

Tu estás longe.
Não estranho que a poesia não me bata à porta.
Verão é época de se Amar, e não de falar de Amor.

As palavras estão mudas.
Meus braços são cordas abafadas.
Nem o violão me ilude com suas curvas.

O mar engoliu a ponta dos dedos.