terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Minha irmã está tão crescida.( ou Por favor, Alicia, não te esqueça dos canteiros.)



Lorenzo Ganzo Galarça

Desculpe se não pude
acompanhar teu germinar.
Mas, por Deus, cresceste depressa.

Cresceste rápido como
quando corrias pela rua
da nossa antiga casa,

catando os butiás
que me caiam do bolso
por não suportarem o fascínio.

Sempre fui em cada palco teu,
em cada apresentação
de ginástica e de flauta.

Percebi que não cresceste
nos teatros. Tu cresceste por dentro,
na mais intensa realidade.

Minha flor,
lembro de correr contigo
pelo quintal da casa de nossos avós.

Lembro dos momentos
em que te machucavas e
ficávamos, os dois, juntos

celebrando a dor de se aventurar,
a dor de cair de bicicleta,
a dor de estar vivo.


Sentias à flor da pele
a dor de um mágico errante.
Sempre fostes exigente.

O segundo lugar nunca
foi o bastante. Nunca quisestes
o teu pedaço pela metade.

Ainda não aprendestes a fechar as portas.
Dormes com elas abertas.
Teu coração não pode ser invadido.

Tu vais crescendo e o tempo
não vai passando.
Ficar ao teu lado, meu Amor, significa:

Esquecer-me de todos os valores e
enamorar-me por cada sentido pulsante.

2 comentários:

Cínthya Verri disse...

Lindeza, lindeza...
que delícia de amar.

Tiger IV disse...

É uma expressão intensa de amor pela tua irmã que eu sempre desejei que tivesses... é uma leitura que não canso de rever... me espelho em cada palavra...
Parabéns ... és um grande homem...
só eles têm coragem de se expressar assim...
Beijo com amor...