domingo, 5 de outubro de 2008

Todo Tempo do Mundo

Perdemos tanto tempo, meu amor.
Nos olhando, profundamente, nos olhos.
Vendo-se encher em lágrimas através do reflexo.
Nossos olhos não são janelas para a alma. São portas abertas.

Perdemos tanto tempo, meu amor.
Falando baixo e sussurrando nossas carícias.
Como se tivéssemos vergonha das plantas e da cama
Que nos escutam com atenção.

Perdemos tanto tempo, meu amor.
Confundindo-se entre braços e pernas.
Entre pêlos e cabelos.
Perdemo-nos em nós.

E então...

Ganhamos tanto tempo, meu amor.
Agora, de lucro.
Temos todo o tempo de mundo
Para tentarmos nos esquecer.


Lorenzo Ganzo Galarça

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