quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Como andam as coisas

Meu amor...
Nesta carta, está o relatório do tempo em que dizer eu te amo é dizer adeus.
A solidão continua profunda aqui no sul.
As moças não têm mais o andar do samba.
Os sapatos dos senhores cruzam depressa as avenidas e as folhas de Outono já não lhe caem sobre a face.
Por aqui, as conversas andam retóricas. Cada uma melhor que a outra.
A chuva parece ter medo de chover.
Por aqui, meu amor, as coisas andam complicadas.
Parece que a essência das flores já não encontra os olhos.
Os ventos que sopram já não erguem as pipas, ao céu.
Por aqui, meu amor, os beijos já não têm valor.
E o corpo é dado, já não mais compartilhado
A verdade, meu amor, é que estou cansado.
Cansado de uma época, em que, talvez, já não se possa mais
Morrer de amor.


Lorenzo G.G.

2 comentários:

Cínthya Verri disse...

Que lindo, que lindo viver e ver isso.
Muitos beijos meus pra ti, querido.

Lucho disse...

aqui é a alicia,eu acho que este foi o teu melhor poema de todo o teu blog.





um abraço e um beijo da mana.