terça-feira, 26 de agosto de 2008

Carteiro Viajante

Lúcido.
Transmuto-me em mim.
Lúdico.
Dos risos dos que deixaram.

Imerso em tudo.
Na ponta dos pés, ao fundo.
Do passado e do presente.

Um resto de lembrança.
Uma foto antiga
Bóio as margens da vida.

Chegando a praia
Como quem chega tipo viajante.
Sem bússola, sem nada.
E sempre acaba voltando.


Lorenzo Ganzo Galarça

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Meu Primeiro Grande Amor

És esquecida.
Esquece-te em mim, em partes...
Em meu pescoço, fio de cabelo.
Na minha cama, um par de brincos.
No ar, o teu cheiro.

Confundo-me em nós.
Já não sei mais quem sou ou quem fui.
Somente sei que não sou mais do que naquele instante de agora.
Aquela parcela bem vivida de um tempo infinito.

Amo-te de um denso intenso
Como os mares que desconheço.
Amo-te livre, desprovido de certezas.
Ocupo-me de viver e em teu corpo casar-me.

Sinto saudade de um futuro
Por nós vivido e morrido.
A todo instante.
Do nosso Amor.

Lorenzo G.G.

Flor

Hoje, novas flores murcharam.
A incerteza da vida versus a minha zona de potência. Até onde os meus braços vão.
É difícil não poder fazer nada para mudar a essência das coisas.
É difícil a aceitação.
Parece que só porque essas flores estão na minha sacada elas devem seguir uma natureza diferente de todas as outras de Porto Alegre.
A flor não sabe que ela é minha.
Ela só sabe que é flor.
Às vezes enganamo-nos e dizemos que somos donos das nossas vidas.
Daí então fica difícil ser flor.
Parece que queremos ser jardineiros.


Lorenzo G.G.

Bom Mentiroso

O contador de estórias
Perde-se no mundo imaginário
Desprende-se do passado
Inventa a própria história

Lorenzo G.G.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Como andam as coisas

Meu amor...
Nesta carta, está o relatório do tempo em que dizer eu te amo é dizer adeus.
A solidão continua profunda aqui no sul.
As moças não têm mais o andar do samba.
Os sapatos dos senhores cruzam depressa as avenidas e as folhas de Outono já não lhe caem sobre a face.
Por aqui, as conversas andam retóricas. Cada uma melhor que a outra.
A chuva parece ter medo de chover.
Por aqui, meu amor, as coisas andam complicadas.
Parece que a essência das flores já não encontra os olhos.
Os ventos que sopram já não erguem as pipas, ao céu.
Por aqui, meu amor, os beijos já não têm valor.
E o corpo é dado, já não mais compartilhado
A verdade, meu amor, é que estou cansado.
Cansado de uma época, em que, talvez, já não se possa mais
Morrer de amor.


Lorenzo G.G.