segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Diafragma


Imagem: Deviantart.com

Lorenzo Ganzo Galarça

À vocês, amantes da arte.
Não deixem que o brilho do olho
confunda-se com o flash.

As fotográfias não guardam lembranças.
Só nos recordam do que não vivemos.
A lembrança do viver é mutável,

A foto; é um passado amputado.
Tenham coragem de esqueçer os fatos!
A vida não é uma galeria.

O instante jámais será capturado.
A beleza não é física.
O belo esconde-se no sorriso dos dentes.

Arte não é saber como aprisionar o sentimento.
Arte é ficar feliz com areia que
escapa por entre os dedos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Minha irmã está tão crescida.( ou Por favor, Alicia, não te esqueça dos canteiros.)



Lorenzo Ganzo Galarça

Desculpe se não pude
acompanhar teu germinar.
Mas, por Deus, cresceste depressa.

Cresceste rápido como
quando corrias pela rua
da nossa antiga casa,

catando os butiás
que me caiam do bolso
por não suportarem o fascínio.

Sempre fui em cada palco teu,
em cada apresentação
de ginástica e de flauta.

Percebi que não cresceste
nos teatros. Tu cresceste por dentro,
na mais intensa realidade.

Minha flor,
lembro de correr contigo
pelo quintal da casa de nossos avós.

Lembro dos momentos
em que te machucavas e
ficávamos, os dois, juntos

celebrando a dor de se aventurar,
a dor de cair de bicicleta,
a dor de estar vivo.


Sentias à flor da pele
a dor de um mágico errante.
Sempre fostes exigente.

O segundo lugar nunca
foi o bastante. Nunca quisestes
o teu pedaço pela metade.

Ainda não aprendestes a fechar as portas.
Dormes com elas abertas.
Teu coração não pode ser invadido.

Tu vais crescendo e o tempo
não vai passando.
Ficar ao teu lado, meu Amor, significa:

Esquecer-me de todos os valores e
enamorar-me por cada sentido pulsante.

sábado, 6 de dezembro de 2008

O Amor Vicia


Arte de: Salvador Dali.

Lorenzo Ganzo Galarça

Não sei como cheguei até aqui.
Tão pouco compreendendo minhas pegadas.
Elas parecem dar voltas e voltas
Sem traçar uma direção exata.

Agora que estou aqui,
E não sei como cheguei.
Reconheço que não posso voltar.
A correnteza ficou forte.

Este que sou já não foi mais ninguém.
O agora é explicito.
Não existe outra coisa.
O tempo parou.

E o Amor vicia.
Já não posso o abandonar.
Ele está dentro de mim,
Observando o meu andar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Na Companhia da Solidão


Arte de: August Macke
Lorenzo Ganzo Galarça

Deixe o telefone tocar.
Porque enquanto espero
Ainda estou à caminho.
Tenho tempo de voltar.

Eu sei, é difícil aceitar.
Mas, por favor, não me
Tire as alternativas.
Me deixa duvidar.

A dúvida é a casa da certeza
Que saiu para se desafiar.
Voltou com medo de
Atravessar a rua.

Me deixe despertar do sonho
Por vontade própria.
Conhecerei a quantidade
Da minha eu(foria).

Por favor, meu bem.
Ouça com carinho
A tua voz.
Ela faz tão bem.

Aceita o meu convite.
Vamos nos aventurar
Pelas ruas e curvas escuras
Dos nossos corpos.

Juntos, encontraremos o Amor
No caminho de volta para casa.
Assistiremos às nossas solidões
Correndo de mãos dadas.

Elas nascem do convívio,
Se acompanham das paixões
E morrem de Amor.
Minha solidão não é solitária.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Interferência No Meu Rádio



imagem: Deviantart.com
Lorenzo Ganzo Galarça

Me avisa da tua presença.
Já não quero mais as vozes,
Quero o som do teu silêncio.

Quero a angústia de sentir primeiro
O cheiro da comida, antes mesmo de
Saber se gosto.

Quero me perder em cada brilho de ventura
Ao escutar uma possível condição.
É o divino batendo a porta,
O acaso de encontro comigo.

A interferência no meu rádio
É o prólogo
Da nossa ligação.

A conexão dos amantes
Travestida em ondas físicas e concretas.
O lógico e racional abrindo as portas para
A subjetividade do Amor.

Longe de ser anatomia
Teu corpo escreve poesia.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sobre a Liberdade


Imagem: deviantart.com

Enfim,

Me desfiz de todas as minhas dívidas (ou da vida dividida)
E o melhor de tudo:
Sem ter que pagar nenhuma.


Lorenzo Ganzo Galarça



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Tom de voz


Imagem: Deviantart.com

Me desculpe, por favor, se fui grosseiro.
Não pude manter a compostura.
Minha fala, infelizmente,
É um tanto corcunda.

Meu amigo, por favor, não me peça a verdade
Se não tens coragem
De aceitar meu tom de voz.
Ele é meu meio de transporte.

Talvez, com alguma sorte,
Mais tarde, poderemos
Falar assim, baixinho,
Quando, enfim, não formos mais os mesmos

Dos que deixamos pelo caminho.


Lorenzo Ganzo Galarça


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Os nossos detalhes


Imagem: Pablo Picasso

Manchas de café e bordado de vó.
Minha casa fica vazia sem o cheiro da terra, úmida, dos teus pés.
A declaração de Amor mais bela é aquela que nasce
em guardanapos de bar,
Sem muitos desenhos.
De preferência, ainda quente dos teus lábios e
Molhado das tuas lágrimas.


Lorenzo Ganzo Galarça

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Despertar.


Imagem: Deviantart.com

Sempre que eu te vejo
Com aquela cara de sono
Sei que não quiseste levantar.

Quiseste o infinito.
O túnel do tempo
É longo de mais para eu te acompanhar.

Vem! Me dá a mão.
Para que juntos
Através da afinidade dos instantes

Da realidade
Te mostro meu amor, meu bem.
Vamos nos aventurar...

Sem jamais olhar
Para os sonhos
Que deixamos de acordar.


Lorenzo Ganzo Galarça

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Enquanto Joaquim dormia


Imagem: deviantart.com

Dona Clara ascendia um fósforo, pois tinha acabado a luz e
um vira-lata latia para a lua.

Enquanto Joaquim dormia,

Um menino acabava de dar o seu primeiro beijo e
um soldado escrevia uma carta a sua mulher.

Enquanto Joaquim dormia,

Um senhor de idade comprava uma carroça de algodão-doce usada e
um menino olhava, escondido, a calcinha da sua vizinha.

Enquanto Joaquim dormia,

Ricardo perdia a virgindade e
Lúcia regava de lágrimas o filho recém-nascido.

Enquanto Joaquim dormia,

Um músico era aplaudido pela primeira vez, em público e
a lua brilhava forte nas águas do mar.

Enquanto Joaquim dormia,

Joana enterrava uma formiguinha, morta, no quintal de casa e
Christiane autografava o seu primeiro livro.

Enquanto Joaquim dormia,

Fernanda lia o seu nome na lista de aprovados no vestibular e
José Felipe pedia uma linda mulher em casamento.

O mundo girava um pouco mais devagar...
Os sonhos duravam um pouco mais...

Enquanto Joaquim dormia.


Lorenzo Ganzo Galarça

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

E a fala conforta.


Foto: Deviantart.com

Constantemente buscamos o porto seguro na boca quente, dos outros.
A fala, quando bem-vinda, nos abraça e nos acolhe.
Ela é boa por natureza.
Correta para si.

Tem vida própria.
Não obedece a boca que a fala.
Ela é intrusa.
Nos flagra, nos desnuda.
Nos entrega.

Como tem de ser a vida.
De entrega.
Entregar-se é
Acolher o que há de pior em nós
Acolher tudo em nós.
Dar-se a vida.
De braços abertos, como o corredor que vence a corrida.

Dar-se a vida não quer dizer submeter-se.
Pelo contrario, quer dizer ser mais flexível,
Aceitar mais,
Olhar com mais atenção,
Ter amor aos fatos.


Lorenzo Ganzo Galarça

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Cegueria

Se algum dia eu ficar cego.
Quero que tenha sido de tanto olhar para a lua
E esquecer-me no seu brilho.
Para nunca mais voltar.
O mesmo de quando partí.


Lorenzo Ganzo Galarça.

sábado, 11 de outubro de 2008

Alma Imoral

Minha imoralidade
É imortal.
Transcende o real.
Trai a tradição.
Conforta-se em si.

Desobedece o limite de espaço do corpo .
Não sai boca afora em labaredas.
Livre,
Rodeia-me por inteiro.

Estar em contato com a alma
Não é deixar o corpo de lado.
Desaprender os sentidos,
Voltar as raízes.

É submergir no agora.
Aguçar os sentidos.
Pisar com mais força.
Beijar a ferida.

Retiro não é refugio.
Não se procura a alma para proteger-se,
Defender-se do mundo.
A alma não é nosso escudo.
Ela é nossa espada e nossa bravura.

Estado constante
Não é o bastante.
Para abastecer
Um corpo mutante
Que precisa desobedecer.


Lorenzo Ganzo Galarça

domingo, 5 de outubro de 2008

Todo Tempo do Mundo

Perdemos tanto tempo, meu amor.
Nos olhando, profundamente, nos olhos.
Vendo-se encher em lágrimas através do reflexo.
Nossos olhos não são janelas para a alma. São portas abertas.

Perdemos tanto tempo, meu amor.
Falando baixo e sussurrando nossas carícias.
Como se tivéssemos vergonha das plantas e da cama
Que nos escutam com atenção.

Perdemos tanto tempo, meu amor.
Confundindo-se entre braços e pernas.
Entre pêlos e cabelos.
Perdemo-nos em nós.

E então...

Ganhamos tanto tempo, meu amor.
Agora, de lucro.
Temos todo o tempo de mundo
Para tentarmos nos esquecer.


Lorenzo Ganzo Galarça

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Um Poema Bem Arrogante

Apaixonei-me pela vida cedo demais.

Sem antes poder desfrutar a perda de mim mesmo.

Sem antes o não-desfrutar das coisas.

O desprezo.

Que me renderia, anos depois, a re-significação do que pensava.

Que me traria a experiência pronta e morna para ser desaprendida.

Inaugurar uma vida de sentimentos.

Conheci a liberdade da alma, enquanto, ainda, preso às garras escolares.

Encontrei-me com minha autonomia sendo dependente dos outros.

Isso sempre serei.

Dependente de todos os meus eu's que me povoam.

Dependente do chão que piso, com cuidado.

Enamorei-me das rosas e tulipas sem dinheiro para comprá-las.

Vivo, intensamente, as experiências dos outros, apenas pela narrativa.

Falo sobre vivências no trânsito, sem ao menos ter idade para tirar a carteira.

Escrevo sobre mulheres e relacionamentos, apenas estando namorando pela primeira vez.

Sou um adulto arrependido. Renascido em corpo de jovem.

Sou o novo de um passado que nunca existiu.

Sou eu.

Novo.

Para mim, a cada instante.

Renovando e descascando.

E sempre... sempre

Mudando.

Lorenzo G.G.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Prazeres Lorenzo Ganzo

Gosto de desmanchar torrões de terra.
Gosto de puxar o fio que descostura da camisa.
Gosto de entrar em estádio de futebol.

Gosto de sentir o cheiro da zero hora, logo de manhã.
Gosto de molhar as minhas plantas mortas. É uma forma de lembrar-lhes a vida.
Gosto de xingar o juiz.
Gosto de beijar minha namorada.

Gosto de cheirar todos os meus perfumes antes de escolher.
Gosto de ler histórias à minha irmã.
Gosto de chutar uma bola com força.

Gosto de concertar a correia da bicicleta.
Gosto de dar abraços.
Gosto de recolher latinhas de refrigerante pelo chão.
Gosto de me sentar no carpete das livrarias.

Gosto de assobiar para os passarinhos.
Gosto de rir com meus amigos.
Gosto de trocar as cordas do violão.
Gosto de olhar o rio e adivinhar o seu tamanho.

Gosto de estalar os dedos.
Gosto de me apaixonar pela lua.
Gosto de ti
Gosto de nós

Enfim, gosto de tudo isso que me cerca.
O dia todo.
Todo o dia.


Lorenzo G.G.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O Canto das Palmeiras

Graúdas como areia
Minhas palavras são peneiradas
Nas mãos quentes e molhadas
Ficam as conchas

E as bolhas
Refletindo o sol
No teu olho verde
Profundo em mar

De estrelas
Canto o grito de guerra
Das palmeiras
Que dançam com o forte vento

Até caírem de contente
Por terem sido parte
Da lembrança
Que em mim ficou

Do templo em que
As palavras fugiam-me
Dos dedos
Para serem areia

Sereia bela
Minha mulher foge
Com minhas palavras
Mar adentro

Com meu suspiro
Com meu canto
Com meu choro

Escuta-te ao longe mulher amada
Tens todo o tempo do mundo
Para fazer das palavras

Tua casa.


Lorenzo G.G.

domingo, 14 de setembro de 2008

A escuridão

Para melhor acompanhar-me
Guiar-me
Pelo silêncio do vazio

Para transpor os escombros
De figuras passadas
Catando o que é reciclável
Em nós

Para criarmos o boneco
Feito de todos
Feito de restos
Feito por mim

Com o sorriso torto
De poucos
Os olhos cerrados
De muitos

Busco a mão que por entre os escombros
Me acena
Que não me de a pena
De dizer adeus

Que me de a vontade
Para ter coragem


Lorenzo G.G.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Carteiro Viajante

Lúcido.
Transmuto-me em mim.
Lúdico.
Dos risos dos que deixaram.

Imerso em tudo.
Na ponta dos pés, ao fundo.
Do passado e do presente.

Um resto de lembrança.
Uma foto antiga
Bóio as margens da vida.

Chegando a praia
Como quem chega tipo viajante.
Sem bússola, sem nada.
E sempre acaba voltando.


Lorenzo Ganzo Galarça

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Meu Primeiro Grande Amor

És esquecida.
Esquece-te em mim, em partes...
Em meu pescoço, fio de cabelo.
Na minha cama, um par de brincos.
No ar, o teu cheiro.

Confundo-me em nós.
Já não sei mais quem sou ou quem fui.
Somente sei que não sou mais do que naquele instante de agora.
Aquela parcela bem vivida de um tempo infinito.

Amo-te de um denso intenso
Como os mares que desconheço.
Amo-te livre, desprovido de certezas.
Ocupo-me de viver e em teu corpo casar-me.

Sinto saudade de um futuro
Por nós vivido e morrido.
A todo instante.
Do nosso Amor.

Lorenzo G.G.

Flor

Hoje, novas flores murcharam.
A incerteza da vida versus a minha zona de potência. Até onde os meus braços vão.
É difícil não poder fazer nada para mudar a essência das coisas.
É difícil a aceitação.
Parece que só porque essas flores estão na minha sacada elas devem seguir uma natureza diferente de todas as outras de Porto Alegre.
A flor não sabe que ela é minha.
Ela só sabe que é flor.
Às vezes enganamo-nos e dizemos que somos donos das nossas vidas.
Daí então fica difícil ser flor.
Parece que queremos ser jardineiros.


Lorenzo G.G.

Bom Mentiroso

O contador de estórias
Perde-se no mundo imaginário
Desprende-se do passado
Inventa a própria história

Lorenzo G.G.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Como andam as coisas

Meu amor...
Nesta carta, está o relatório do tempo em que dizer eu te amo é dizer adeus.
A solidão continua profunda aqui no sul.
As moças não têm mais o andar do samba.
Os sapatos dos senhores cruzam depressa as avenidas e as folhas de Outono já não lhe caem sobre a face.
Por aqui, as conversas andam retóricas. Cada uma melhor que a outra.
A chuva parece ter medo de chover.
Por aqui, meu amor, as coisas andam complicadas.
Parece que a essência das flores já não encontra os olhos.
Os ventos que sopram já não erguem as pipas, ao céu.
Por aqui, meu amor, os beijos já não têm valor.
E o corpo é dado, já não mais compartilhado
A verdade, meu amor, é que estou cansado.
Cansado de uma época, em que, talvez, já não se possa mais
Morrer de amor.


Lorenzo G.G.

domingo, 13 de julho de 2008

Intimidade

Intimidade é lembrar do outro através do teu passado
É enxergar-se refletido no próprio olho
É ter coragem de enfrentar a alma
É ter orgulho para honrar o corpo

Intimidade é manter acesa a chama que é eterna enquanto queima
É deixar de lado os porquês
Apropriar-se dos talvez
É rir pela boca do outro
É lembrar-se do que nunca aconteceu

Intimidade é sentir o coração pulsar e parar
É escutar o estalo dos ossos
É cheirar o vento que corre por entre os cabelos
É ser atingido por uma gota d'água

Intimidade é minha timidez comigo mesmo
Dos eu's que desconheço
É minha inauguração
Para mim mesmo.


Lorenzo G.G.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O medo

O medo

Meu eterno cuidador
Meu amigo valente
Salva-me de perigos
Mete-me em outros
Cuida da minha Alma.

O medo das relações lembra-me do cuidado
Da atenção com o amigo amado
Do meu carinho com o o mundo
Que também sou eu

O medo me exercita
Me deixa em movimento
Me atualiza do presente
Sussurra-me o instante

Me oferece a mão
Para então
Caminharmos pela estrada
Até que uma curva se apresente.

Lorenzo G.G.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tu e Eu

Tua boca me toca
Teu cabelo me acaricia
Teu sorriso me confirma
A nossa doce companhia

Lorenzo G.G.

domingo, 29 de junho de 2008

Vazio

O mundo debruça-se contra o meu ombro
A gravidade me suga
E o ar vai embora

As narinas se cobrem
Os ouvidos descansam
E os olhos se fecham

O universo escurece
E o frio se expande
As estrelas se apagam
Enquanto a lua dorme

O nada me colore
O vazio me preenche
E o tudo me descobre

Nu, como a própria alma
Passeio em mim
Procurando
conforto
Na natureza de existir.


Lorenzo G.G.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Plantinha Nossa

Serzinho...
Calma serzinho...
Tua hora vai chegar
Nem antes nem depois
Só vai chegar
Agora é esperar
Esperar o vento forte passar e soprar
Prá alma nova
Então...
Brotar e germinar


Lorenzo G.G.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O Balanço

Na minha rua, tem uma praça
Na praça tem um balanço
E no balanço tem uma criança
Que voa aos céus e volta ao solo
Num movimento repetitivo
A criança se inclina para frente e depois para trás
A criança ora é menino, ora é menina
Ora alegre, ora triste
Sempre
Subindo e descendo
Às vezes, quando chega no seu ponto mais alto, pula
Pula e cai ereta no chão para pensar
Para pensar se queria estar subindo ou descendo.
E e então a criança sorri
E me vejo refletido em seus olhos


Lorenzo G.G.

sábado, 31 de maio de 2008

Poema Largado

Me encontrei tanto
Que quero me perder
Quero experimentar o outro lado
Travestir-me de culpado
Quero escrever no escuro
Sem versinhos estúpidos
Quero a dor do que é viver
Quero a angústia do instante
O descompasso do tempo
Não quero certezas
Nem seguranças
Muito menos guarda costas
Quero estar sujeito a qualquer ameaça
dessa intitulada amiga, vida.
Dou o corpo ao acaso
Com o desprezo do que é são
Quero lançar-me sem resultados
Não quero início, nem fim
Quero é o meio
Quero pela metade
Mas isso não é querer
É medo de viver
E tão logo morrer.



Lorenzo G.G.

domingo, 25 de maio de 2008

Corpo Nú

Doce céu e lua cobrem de um veludo escuro
o corpo nú adormecido sobre a cama.

Seu cabelo moreno esconde em parte
seu enigmático rosto.

Seu seio é apalpado pela noite
e seu sexo, violado pelo luar.

As curvas de seus braços e pernas
pintam palavras suaves pelos ares.

Seu corpo é musica, cantada por anjos
apaixonados.

Sua respiração é educada e simples.

Ela está bem.
Está serena como a lua,
Livre como as gaivotas e
linda como um Deus.


Lorenzo G.G.

Meu Canto Do Mundo

Vem chegando bem devagarzinho
um navio em Porto Alegre.
Impressionante como a cidade abraça esse rio Guaíba.

Sua barra faz carinho nas águas que, em ondas, levam frequências altíssimas de Amor para o mundo.

Na cidade da alegria, a catedral se anuncia, com sua nova cúpula de bronze.
O Gasômetro também.
Quase que no finzinho dessa minha vista amada.

Nesse porto de Amor tudo se anuncia e se inaugura.O tempo todo.

Caminhar pela movimentada Borges é musica.
Musica de gente.
Conversas, gritos, cantadas, assobios, fungadas e prosas.
Compõem a mais bela sinfonia da capital gaúcha.

Escalar a Andradas em um louco entrevero de pessoas é poesia...
E quanta poesia!

O palácio e o São Pedro pintam imagens de um ZH na manhã de 28 de Maio de 1968.
Imagens de uma revolução.
Imagens de um propósito.
Imagens de Coragem.

Por isso gosto tanto das pombas da praça da Matriz.
Lembram-me que sou livre.

Concerteza Porto Alegre me tem.
Concerteza Porto Alegre me faz.
Me faz gente.
País e continente.

Porto Alegre me aceita e eu aceito ser porto
Para o alegre.


Lorenzo G.G.

domingo, 11 de maio de 2008

Encotro Único

Quinze anos atrás tive um encontro maravilhoso.
Um encontro com uma mulher que, em lágrimas, me regava com Amor.
Segurava-me no colo e não pedia nada mais.
Apenas aquele momento
Sabia que nem o tempo importava mais
Pois estava ali
Estava ali se conscientizando de sua presença em minha vida
Via em seus braços a prova mais clara de que nós estamos em todos e em tudo
A prova mais clara da existência

Ambos crescemos juntos, Mãe e filho e vice-versa
Aprendendo a nos amar e respeitar

Hoje somos isso!
Escrevemos nossas vidas
Para algum dia...
Termos histórias para contar


Lorenzo G.G.

PS:Eu te amo profundamente querida amiga!

sábado, 10 de maio de 2008

Aqui e agora

Se vou falar da Chuva
Não pode ser sobre chuva de ontem
Nem a de amanhã
Tem que ser a de agora
Que também já foi embora

Eu preciso do momento
Do aqui e agora
Nem o passado nem o presente me saciam
Preciso desse quentinho


Lorenzo G.G.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Contato

Afasto-me cada dia mais para perto de minha alma

Cada dia mais para perto da minha autonomia.

Cada dia mais para perto de mim.


Lorenzo G.G.

sábado, 26 de abril de 2008

Lábios

Lábios...
Tingidos pelo mais doce dos whiskys.
Sua testa salgada de suores infindáveis.
Seus olhos por trás de lentes embaçadas
Buscam o norte, em janelas de almas descontentes.
Descontentes com a ausência do em si.
Balançam ora pra cá, ora pra lá.
No esforço de sinalizar
No esforço de lembrar
De que já conhecem esses caminhos
E que desgostam de seus atalhos


Lorenzo G.G.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Árvore nua

Árvore nua.
Despida de pudor.
Suas raras e poucas folhas
colorem, de um sincero verde,
o cenário castanho de uma gélida manhã de outono.

Lorenzo G.G.

domingo, 6 de abril de 2008

Luzes

Do topo de um prédio.
Postes...
Faróis...
Shoppings...
Holofotes...
Semáforos...

Não Acham lindo termos estrelas na Terra?


Lorenzo G.G

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Tati

Olhinhos semi-serrados para o mundo.
Misturando cada pedrinha de brita na obra da esquina.
Cada gota d'agua em poças no asfalto sob o sol de uma quente quarta-feira.
Olhar de quem tem sede.
Sede de saber.
Sede de provar.
Por trás de um vidro de corsa branco os olhinhos vão passeando.


Lorenzo G.G

Do lado de lá

Do lado de lá
Olhares diferentes
A primeira vista assustadores
Com o tempo se transformam e tornam-se íntimos
Óh! Olhares de lá...
Quem dera eu poder comprender suas vistas


Lorenzo G.G

Ó Lua

Transborda-se em mim risos belos e amarelos, iluminados por tua sinceridade e ingenuidade.
Ó Lua, se compreendes o bem que me fazes, não tenho certeza...
Certeza?
Do que?
De quem?
Guardo em mim a lembrança de que a muitos anos, querida lua, sobes e desces todos os dias no horizonte de meus olhos. E sempre, apesar do humor da humanidade, continua constante o intenso brilho que carregas.

Lorenzo G.G